Essa é uma dúvida que algumas pessoas têm antes mesmo de marcar a primeira consulta: se eu procurar um psiquiatra, vou necessariamente sair de lá tomando algum remédio?
Comigo, não.
Na primeira consulta, meu objetivo é entender o que está acontecendo. Conversamos sobre os sintomas, quando começaram, o quanto interferem na sua vida, como estão o sono e a rotina, além de tratamentos anteriores, uso de substâncias, condições clínicas e outros aspectos que possam ser relevantes.
A conduta só é definida depois dessa avaliação.
Em alguns casos, considero que há indicação de tratamento medicamentoso. Quando isso acontece, explico por que estou recomendando aquela opção, quais benefícios podemos esperar, os possíveis efeitos adversos e quais alternativas existem.
Em outros, posso entender que não há necessidade de iniciar uma medicação naquele momento. Isso aconteceu, inclusive, em duas consultas recentes, e os pacientes saíram satisfeitos com a conduta proposta. Psicoterapia, atividade física, ajustes no sono, redução do consumo de álcool e mudanças na rotina também podem fazer parte do tratamento. Às vezes, é necessário acompanhar a evolução ou investigar melhor antes de tomar qualquer decisão.
Também não considero que todo sofrimento precise ser medicado. Ansiedade, tristeza, insônia ou dificuldade de concentração podem ter causas muito diferentes e pontuais, que podem melhorar com o tempo ou com intervenções não medicamentosas. A presença de um sintoma, isoladamente, não significa que exista um transtorno psiquiátrico.
Por outro lado, quando há uma indicação clara para o uso de medicamentos, não deixo de recomendá-los apenas para evitar uma prescrição. Quando bem indicados, eles podem trazer uma melhora importante dos sintomas e da qualidade de vida.
Minha conduta não está definida antes de conhecer o paciente.
Ao final da consulta, você pode sair com uma prescrição, sem medicação ou com a orientação de realizar alguma investigação complementar. Isso depende do que identificarmos durante a avaliação.
O objetivo da consulta não é encontrar um remédio para você. É entender o que está acontecendo e definir a conduta mais adequada para o seu caso.
