Uma pergunta comum no consultório é: qual é o melhor medicamento para tratar TDAH em adultos?
Não existe uma resposta única. A escolha depende dos sintomas, comorbidades, tratamentos anteriores, efeitos adversos e características de cada paciente. Ainda assim, quando há indicação de tratamento farmacológico e não existem contraindicações, a lisdexanfetamina costuma ser uma das minhas primeiras escolhas.
Por que os estimulantes são primeira linha?
Os estimulantes, principalmente metilfenidato e derivados anfetamínicos, como a lisdexanfetamina, estão entre os tratamentos com melhores evidências para o TDAH em adultos.
Metanálises mostram efeitos importantes sobre os sintomas centrais do transtorno, como desatenção, impulsividade e hiperatividade. Uma metanálise em rede publicada no Lancet Psychiatry em 2025 reforçou a eficácia dos estimulantes no tratamento de curto prazo do TDAH em adultos.
Além disso, diferentemente de medicamentos não estimulantes, que podem levar semanas para atingir seu efeito terapêutico, os estimulantes apresentam início de ação mais rápido.
Por que frequentemente escolho a lisdexanfetamina?
A lisdexanfetamina é uma pró-droga da dextroanfetamina: precisa ser convertida pelo organismo para liberar sua forma ativa.
Na prática, considero algumas características particularmente interessantes:
- Alta eficácia sobre os sintomas nucleares do TDAH;
- Longa duração de ação, permitindo cobertura durante boa parte do dia;
- Uso uma vez ao dia, facilitando a adesão;
- Liberação mais gradual da dextroanfetamina, em comparação com anfetaminas de liberação imediata.
Para muitos adultos, essa combinação oferece um controle mais consistente dos sintomas durante trabalho, estudos e atividades cotidianas.
E o metilfenidato?
O metilfenidato também é tratamento de primeira linha e pode ser a melhor opção para determinados pacientes.
A escolha entre metilfenidato e lisdexanfetamina depende da resposta individual, duração de efeito desejada, tolerabilidade, tratamentos prévios, custo e disponibilidade.
Portanto, escolher inicialmente lisdexanfetamina não significa considerar o metilfenidato um tratamento inferior. Pode ser a opção mais indicada para o seu caso.
Quando considero medicamentos não estimulantes?
Medicamentos como atomoxetina e, em situações específicas, bupropiona também podem ser utilizados.
Eles podem ser particularmente úteis quando há contraindicação ou intolerância aos estimulantes, preocupação relevante com abuso ou desvio da medicação ou características clínicas que favoreçam outra estratégia.
A atomoxetina possui eficácia estabelecida para TDAH, embora seu efeito seja geralmente mais gradual e, em média, de menor magnitude que o observado com estimulantes.
O tratamento não termina na prescrição
Medicamentos são apenas uma parte do tratamento do TDAH.
Psicoeducação, organização da rotina, estratégias comportamentais, psicoterapia quando indicada, sono adequado e tratamento das comorbidades também podem ser fundamentais.
Por isso, não existe um medicamento ideal para todos. Frequentemente escolho a lisdexanfetamina como opção inicial pela combinação de eficácia, duração e perfil farmacológico, mas a decisão final deve sempre considerar qual tratamento oferece a melhor relação entre benefício, tolerabilidade e segurança para cada paciente.
Referências
- Olagunju AE, Ghoddusi F. American Family Physician. 2024;110(2):157-166.
- Cortese S. New England Journal of Medicine. 2020;383(11):1050-1056.
- Ostinelli EG, Schulze M, Zangani C, et al. Lancet Psychiatry. 2025;12(1):32-43.
- Verbeeck W, Bekkering GE, Van den Noortgate W, Kramers C. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2017;10.
- Posner J, Polanczyk GV, Sonuga-Barke E. Lancet. 2020;395(10222):450-462.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.
