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Por que sua ansiedade parece piorar à noite

  • Foto do escritor: Arthur Freire
    Arthur Freire
  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

Muitas pessoas dizem que passam o dia inteiro “dando conta”. Trabalham, resolvem problemas, conversam, decidem, funcionam. Mas quando a noite chega e o corpo finalmente para, a mente parece fazer o oposto. Os pensamentos aceleram, as preocupações ficam mais presentes, o coração parece mais perceptível, o futuro parece mais ameaçador e o passado mais pesado. 


Isso pode ser uma resposta bastante comum do nosso dia-a-dia.

Durante o dia, nossa atenção está voltada para outras coisas. Há estímulos constantes, demandas, tarefas, ruídos, telas, conversas. Isso mantém o cérebro em um modo funcional, orientado para a ação. À noite, quando esses estímulos diminuem, o cérebro muda naturalmente de estado. Ele passa a se voltar para os processos internos. É nesse momento que surgem as lembranças, reflexões, simulações do futuro, preocupações que não tiveram espaço durante o dia.


Em pessoas com ansiedade, esse movimento interno acontece com mais intensidade. A mente não apenas reflete, mas rumina. Não apenas planeja, mas antecipa riscos. Não apenas relembra, mas revisita com carga emocional. O que parece “ansiedade do nada” é, na verdade, o encontro com tudo aquilo que foi sendo empurrado para depois ao longo do dia.


Dessa forma, a noite não cria a ansiedade, mas revela aquilo que foi ignorado, as emoções que não foram sentidas, os conflitos que não foram elaborados, as inseguranças que foram silenciadas para que fosse possível continuar funcionando. Quando o corpo deita, a mente começa a falar…


Muita gente tenta resolver isso brigando com os próprios pensamentos. Tenta forçar a mente a ficar vazia, tenta se distrair compulsivamente, tenta “controlar” o que está sentindo. E isso costuma piorar, porque tentar não pensar é uma forma de pensar. E tentar expulsar uma emoção é uma forma de mantê-la ativa.


O que costuma ajudar é aprender a desacelerar de forma gradual, não abrupta. É ajudar o corpo a sair do estado de alerta antes de pedir que se acalme. Tentar dar algum destino para as preocupações antes de deitar, em vez de deixá-las soltas esperando atenção às onze da noite. Tentar aprender a observar os pensamentos como eventos que passam, e não como ordens que precisam ser seguidas.


Quando isso acontece, você começa a entrar no caminho certo. A noite deixa de ser um campo de batalha e começa, aos poucos, a se tornar novamente um espaço de descanso.

Existe ainda um ponto importante. Quando a ansiedade aparece principalmente à noite, isso costuma ser um sinal precoce de sobrecarga, de esgotamento, de um sistema que está funcionando tempo demais em modo de alerta. Minha recomendação é não ignorar e buscar o cuidado correto.


Em resumo, a ansiedade noturna não significa que você está piorando à noite. Significa que você está finalmente parando e o que você passou o dia inteiro ignorando, finalmente tem espaço para se expressar.


Aprender a escutar seus pensamentos durante o dia sem ser dominado por eles é um dos movimentos mais transformadores que alguém pode fazer pela própria saúde mental.

Se este texto fez sentido para você, provavelmente não é porque há algo errado com você. É porque há algo em você pedindo cuidado, não mais cobrança.


E isso já é um excelente ponto de partida.

 
 
 

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