Uma consulta psiquiátrica não termina quando a receita é entregue. O acompanhamento faz parte do tratamento e merece a mesma atenção da primeira avaliação.

Uma dúvida bastante comum entre os pacientes é por que todas as consultas de retorno/acompanhamento são cobradas.

Na minha prática, entendo que cada encontro é um momento importante do tratamento. Mesmo quando o paciente está melhor, precisamos avaliar como os sintomas evoluíram, se o medicamento está funcionando, se existem efeitos colaterais e se a conduta continua sendo a mais adequada.

Em psiquiatria, muitas vezes os resultados do tratamento aparecem gradualmente. Por isso, a consulta seguinte não é simplesmente uma conferência do que foi prescrito anteriormente. É uma nova avaliação clínica, que exige escuta, análise e, quando necessário, ajustes no planejamento terapêutico.

Meu compromisso não é apenas prescrever um medicamento e esperar que ele funcione. É acompanhar sua resposta, considerar como o tratamento interfere na rotina e tomar decisões em conjunto com o paciente. Isso exige tempo, disponibilidade e responsabilidade profissional. Por esse motivo, não trabalho com retornos gratuitos previamente programados. Cada consulta é um atendimento médico completo, com a atenção e o cuidado que considero necessários.

Cobrar pelo acompanhamento não significa reduzir o cuidado a uma questão financeira. Significa reconhecer que o acompanhamento é, em si, parte essencial do tratamento.